As discussões sobre sustentabilidade estão no centro do debate mundial e frente aos alertas de aquecimento global e esgotamento de recursos, as pessoas, companhias, empresários, entre outros, têm feito investimentos em tecnologias limpas, programas de redução de emissões de carbono, reciclagem e preservação do meio ambiente. Analistas afirmam que tais atitudes não se configuram apenas como uma espécie de bom-mocismo e afirmam que elas dão retorno a todo o conjunto de indivíduos de uma sociedade. Para falar sobre esse assunto, o Entrevista VIP conversou com o empresário e publicitário Raul Ivo, representante da empresa Greensense, marca que busca alternativas para a promoção de mecanismos capazes de suprir as necessidades de responsabilidade ambiental em todo o Brasil.

 

 

Mais Bahia - Porque você optou por trabalhar produtos que tenham um viés “ecologicamente correto”?

 

Raul Ivo - O Brasil consome hoje cerca de 33 milhões de sacolas plásticas por dia. Isso equivale a 12 bilhões de sacolas todos os anos, que são dispensadas em lixões e aterros sem nenhum tipo de tratamento ou reciclagem. Como são extremamente leves, possuem baixo valor agregado não sendo economicamente viáveis a sua separação individual e reciclagem. Nossa atitude é justamente oferecer aos nossos clientes uma opção de fazer algo por nosso país, por nosso planeta e para nós mesmos. A utilização de ecobag, sacola ecológica, sacolas retornáveis, bolsas em tecido de algodão, proporcionará a diminuição gradual das sacolas de plástico, diminuindo drasticamente não só a poluição física e visual, como também o gasto desnecessário de recursos sem retorno.

 

MB - Você pode explicar para os nossos leitores o que são ecobags?

 

RI - As ecobags são produtos com alto valor agregado porque além de serem fabricadas com matérias-primas ecologicamente corretas como: algodão, juta, tecido da floresta, entre outros, todo o seu processo de produção é acompanhado para que os envolvidos estejam em condições socialmente justas, cercando-se exclusivamente de parceiros e fornecedores que ofereçam condições ideais de trabalho.

 

MB - E por qual motivo você decidiu trabalhar com esse tipo de material?

 

RI - A minha idéia é conscientizar as pessoas para a necessidade de preservação do ambiente. Nós optamos pelo combate ao uso do plástico por ser um material que leva anos para ser decomposto na natureza. Por isso, não me importa o retorno financeiro, mas conseguir atingir o máximo de pessoas possíveis para o consumo responsável.

 

MB - Por ser fabricado uma fibra natural e renovável (o algodão), esse produto pode trazer algum risco para o equilíbrio dos locais onde são cultivadas as matérias-primas?

 

RI - Muito pelo contrário. A produção é centralizada, feita de forma responsável. Essa matéria-prima é cultiva aqui mesmo na Bahia, contribuindo ainda para a economia e a criação de empregos no estado. Eu costumo exemplificar a qualidade do algodão cru com relação ao papel, que necessita diretamente da derrubada de arvores para a sua fabricação. Contudo, o algodão pode ser produzido em pequenas áreas, ou seja, o produto adquire uma consciência de preservação desde o plantio da fibra.

 

MB - Existe algum caso de sucesso, que você conheça, na utilização de produtos feitos de maneira ecológica?

 

RI - Há algum tempo os chineses já adotaram medidas que corroboram com a idéia de preservação, como as ecobags e a locomoção por meio de bicicletas. Na Europa, vários paises já promovem o consumo que não cause mal as reservas naturais do planeta. E não falo somente de embalagens. Falo do uso moderado dos veículos, optando por caminhadas; do uso controlado do solo; da utilização de energia limpa. Essas coisas já se tornaram tendências mundiais.

 

MB - Qual a realidade brasileira com relação à busca por uma produção voltada para a preservação do ambiente e o consumo responsável?

 

RI - Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1997 a 2002 o investimento da indústria em controle ambiental saltou 86,4%, para R$ 4,1 bilhões. Atualmente cerca de 30 empresas integram o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), criado na Bovespa em 2005. Para participar, as empresas respondem um questionário com perguntas sobre sua atuação em áreas como governança corporativa e meio ambiente. Mas não apenas empresas com alto impacto ambiental buscam espaço na vitrine da sustentabilidade. Outros setores investem no tema para ter uma boa imagem junto aos clientes como bancos, escolas, lojas de roupas, supermercados, etc.

 

MB - E essa consciência foi criada a partir de conceitos que retomam ao ambientalismo (movimento ecológico que tem na defesa do meio ambiente sua principal preocupação) ou simplesmente as grandes corporações se sentiram no dever de lutar pela manutenção dos ambientes existentes no planeta?

 

RI - Eu acredito que o objeto de análise do pensamento ecológico atualmente ainda está entre o desenvolvimento ou proteção do meio ambiente. A escolha se coloca precisamente entre que tipo de desenvolvimento se deseja implementar, uma vez que, após a criação das tecnologias limpas, desenvolvimento e meio ambiente deixaram de ser considerados como duas realidades antagônicas, e passaram a ser complementares. No momento em que o setor empresarial verde insere-se no movimento ecológico, ele ganha toda a credibilidade discursiva, e promove o estilo do desenvolvimento sustentável como o marco teórico defendido por todos os segmentos do ambientalismo.

 

MB - Deixe uma mensagem para os nossos leitores.

 

RI - Se você tem interesse de ajudar o planeta não precisa fazer mil e uma atividades para isso. Todos podem fazer a sua parte, seja na construção de casa ecológica, no consumo responsável, na utilização de matérias-primas renováveis. O importante é você ter a consciência de que está buscando uma melhora. Que está fazendo algo para melhorar o mundo.

 



As ecobags são algumas das alternativas para evitar a degradação dos recursos naturais
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