A difícil conquista da América

Universidad de Chile. (Foto:Divulgação)

Em todo início de Taça Libertadores, parte da imprensa e torcida do país é tomada por um clima de festa antecipada. É o tal do clima de já ganhou. Mesmo que não exista “bobo” no futebol, os brasileiros continuam a desconhecer e subestimar os adversários do continente – com a exceção dos tradicionais clubes argentinos e uruguaios (Boca Juniors, Peñarol). Assim, muitos assistiram – incrédulos – times como o Once Caldas (Colômbia), LDU (Equador) e Universidad de Chile destruir nossos tidos “esquadrões”.

Neste sentido, as estreias de Vasco e Fluminense na Libertadores deste ano foram bastante ilustrativas. Em casa, o tricolor jogou um futebol pífio contra o Arsenal, da Argentina: após marcar um gol no começo, a equipe passou aperto e não chegou perto de convencer. Pior o alvinegro carioca, que foi totalmente dominado pelos uruguaios do Nacional e perdeu em casa por 2 a 1. Mais uma vez, o aviso está sendo dado aos brasileiros: usem um pouco do tempo gasto no “oba oba” para fazer uma auto-análise. Conquistar a América é mais difícil do que parece.    

Obras sanitarias campeão. (Foto:Divulgação)Janela de transferências

Há alguns anos, o último dia da janela de transferências do futebol europeu era um “Deus nos acuda” para as equipes brasileiras, que corriam tentando segurar (ou negociar) seus jogadores. Mas, como já afirmei em outra semana, este é um eco do passado. Sim, alguns atletas saíram do país, mas o período terminou sem tirar o sono de ninguém por aqui. E os sinais da recessão no continente ficaram nítidos até nas transações internas.

A negociação mais cara da janela foi de €19 milhões (R$43.4 milhões) – o atacante Balázs Dzsudzsák trocou o Anzhi pelo Dínamo de Moscou – e apenas três jogadores fizeram com que clubes desembolsassem mais do que €10 milhões. Ainda é muita grana? Sim, mas pouquíssimo em relação ao que já se gastou em anos anteriores. Dêem oi para as vacas magras.

“Oscar” do esporte

O timing foi perfeito: poucos dias depois da épica conquista do Aberto da Austrália, em um jogo de seis horas contra Rafael Nadal, o tenista Novak Djokovic recebeu o Laureus – prêmio máximo do esporte mundial – de melhor esportista masculino da temporada. Em 2011, o sérvio ganhou três dos quatro Grand Slams e assumiu a liderança do ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais). Julgar feitos realizados em diferentes modalidades não me parece ser algo muito justo, mas é difícil contestar a escolha.
Entre as mulheres, a premiada foi a corredora queniana Vivian Cheruiyot. O Brasil foi representado pelo ex-jogador de futebol Raí, homenageado pelas ações sociais realizadas à frente da fundação Gol de Letra.

Incômoda freguesia

O domínio argentino no basquete sul-americano não se limita às disputas de seleções: nos torneios interclubes, os hermanos também dão um banho nas equipes nacionais. No último domingo, mais um capítulo desta (incômoda) freguesia foi escrito: o Pinheiros perdeu o título da Liga Sul-Americana para o Obras Sanitárias, de Buenos Aires. A história do jogo já é manjada: mais disciplinados e atentos, os argentinos dispararam no marcador aproveitando descontrole do time brasileiro. Ter sete atletas sofrendo de uma misteriosa indisposição intestinal não ajudou o Pinheiros, mas, independente disso, o retrospecto recente não advoga em favor dos nossos clubes.  

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