Você é luz Wando!

Wando, você é luz. (Foto:Divulgação)

 

O cantor Wando morre aos 66 anos, no dia 8 de fevereiro, de parada cardíaca. Nascido em Minas Gerais  no arraial de Bom Jardim na fazenda que pertenceu aos avós, Wanderley Alves dos Reis, seu nome de batismo,  construiu sua carreira entre a feira e os palcos de bailes como pode ser conferido no site http://www.wando.com.br/biografia.php.

Antes de ser artista foi feirante, vendedor de jornal, motorista de caminhão. Estudou violão clássico, achou entediante e começou a aprender violão popular e compor canções de amor. A música se sobrepôs ao feirante pela incompatibilidade de horários. O músico tocava à noite e de manhã cedo tinha que estar de pé para abrir a barraca da feira.

Com uma discografia composta de 27 álbuns e dois DVDs Wando até meados de 1978 ainda não tinha aderido de vez ao estilo de baladas românticas. Paulo César de Araújo,  autor do livro ‘Eu não sou cachorro não: Música popular cafona e ditadura militar’ traz à baila que contrariando a maioria dos pesquisadores e críticos de música os cantores e compositores da década de 70 considerados brega/cafona não eram tão aliendados ou adesistas. Wando é um desses artistas que teve várias músicas censuradas neste período produzindo canções de forte conteúdo crítico social tais como,”Malandro guardado” gravada em 1973 e ”Presidente da favela” gravada em 1977.Questões referentes também à temática homoafetiva se encontra em sua obra.Gravada em 1978 a canção “Emoções” trata da descoberta da atração sexual entre dois jovens do sexo masculino. Seu primeiro sucesso como compositor foi “O importante é ser fevereiro” gravado por Jair Rodrigues.No entanto, Wando se torna um cantor das multidões com a canção “Moça” tema da novela “Pecado Capital”.

Wando. (Foto:Divulgação)Mas é com o álbum “obsceno” lançado em 1988 que o artista passa a caminhar por temáticas mais expliícitas, relacionadas ao sexo, e, particularmente, às mulheres.Em 1993 no álbum “Mulheres” ele traz o sucesso “Coisa cristalina” e “Já tirei a roupa”.Em 1996 lança o álbum “Ponto G da história” e grava as cançõs “safada” e “A dona do ponto G”.Mas é em 1996 que o seu objeto de desejo se revela para o Brasil. A calcinha”. Objeto aliás exibido na capa do seu CD de nome “Chacudum”. Neste álbums as canções Maçã (Emoções), e “Fogo e paixão” são as mais conheidas do público potencialmente feminino.Em 2001 lança o álbum “Fêmeas” e seu último álbum lançado em 2005 “Romântico brasileiro, sem vergonha” ele regrava os grandes sucesso “Moça”, “Chora coração” “Fogo e paixão” e “Deixa eu te amar”.

Wando que se tornou conhecido como o cantor das “calcinhas” também sofreu preconceito da crítica e dos intelectuais que produzem e estudam a história da música popular brasileira que despreza tudo aquilo que não está identificado à “tradição” ou  a “modernidade”.Assim, a historiografia da música popular brasileira não reconhece cantores e compositores do porte de Wando com dignidade artística cultural e menos ainda como fenômeno social. Palavras de Paulo César de Araújo (2007).

Confesso que o espaço destinado a notícia da morte do artista na edição do Jornal Nacional me causou surpresa. Talvez porque notícias da morte de um ídolo popular como Wando renda audiência. E termino a minha coluna com uma frase do twitter que achei interessante para retratar o sucesso do artista: “Calcinhas a meio mastro”. 

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