Para quem gosta do estudo das guerras para entender mudanças no mercado e desenvolvimentos tecnológicos, pode até argumentar e contradizer o que vou colocar, mas ainda assim, eu prefiro afirmar que esta “guerra” entre as empresas e os clientes, é algo completamente desnecessário, já que um depende do outro.
Tenho abordado constantemente o assunto, mostrando e clamando a todos, eu inclusive, que somos consumidores, a comprarmos apenas nos locais, nas lojas, que somos bem atendidos, para valorizarmos o nosso dinheiro, para denunciarmos as propagandas enganosas.
Não tem funcionado como deveria, já que sou acadêmico e faço isso também em sala de aula, somos uma legião de poucos que assim procede, mas estamos fazendo, e tenho relato de pelo menos 100 pessoas do nosso convívio desta postura comportamental.
Aí, do nada, surge esta crise na relação entre governo estadual e policiais militares, criando um clima de terror, mais exagero e ações de vandalismo de aproveitadores. Mas não vou fazer discurso político, vou abordar a fragilidade na relação entre Empresa e Consumidor.
Os órgãos de classe do varejo em Salvador já estão falando em perdas na ordem dos 600 milhões de reais nestes dias de paralisação. Acho muito dinheiro, principalmente que esta demanda reprimida não será satisfeita, não dá tempo.
Vem meu questionamento: Será que todo este dinheiro de consumo deixado nos bancos era para produtos supérfluos ou os clientes que deveriam consumir, pelo medo, não o fizeram por não estarem devidamente motivados à satisfazerem suas necessidades e desejos?
A resposta é simples: 1- Esse consumo perdido era para supérfluos; 2- Os consumidores estão desmotivados a tal ponto que não querem arriscar nada para comprar, e não é assim que as teorias de comportamento de consumo pregam ou observam. Os consumidores fiéis às marcas fazem todo o tipo de sacrifício para comprar, eles sentem-se bem em adquirir os produtos das suas marcas prediletas, poucas coisas são responsáveis por atrapalhar esta relação, e uma delas é a falta de credibilidade.
O engraçado desta história toda é que a queixa é praticamente nacional com estes excessos de promoções. Faço parte de alguns grupos de discussão, um deles é o Grupo VAREJO - TENDÊNCIAS, GESTÃO E ESTRATÉGIA, que dentre as discussões sobre o tema, apenas um aspecto foi consenso do porque deste exagero: As empresas desaprenderam a fazer promoção.
Então, a redução de consumo neste período de greve é muito mais pela relação ruim entre as empresas e este mercado consumidor importante do que pelo medo de irmos às compras.
Minha intenção nesta semana é criar um clima de reflexão para que as empresas repensem os seus princípios e valores, pois nossas observações mostram que a missão e a visão estão corrompidas ou não foram desenhadas, e principalmente, reaprendam a respeitar o que o marketing prega como conceito básico: Marketing é a função empresarial que visa atender as necessidades e criar desejos dos consumidores. A função da empresa é esta, produzir para que alguém compre, concluindo, se eu quero vender o que produzo, devo tratar bem meus consumidores. Se continuarem assim, o varejo físico vai perder fácil a guerra contra a compra eletrônica.
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Cynthia Meireles
Postado em 2012-02-13 15:41:26
É com toda certeza que concordo com o artigo acima,onde nos relata a pura realidade do relacionamento das empresas x clientes.E reafirmo que o marketing é uma ferramenta com uma visão voltada a atender as necessidades e desejos do nosso consumidor,ou seja gerar formas ou meios em criar desejo a esse novo mercado de clientes cada vez mais exigente e atendo ao que as empresas de negócios os propõem.
Então não deixem que os elos se separem,pois,um depende do outro ,e que as teorias do comportamento do comsumidor passem a valer, para que o mercado de varejo devolva e levem a motivação e credibilidades a esses fieis clientes.E que pensem diferente que promoção não se faz um ou duas vezes no ano,inove,crie e façam o ano inteiro, para que vocês possam manter as portas abertas e gerar o sucesso desejado.
Antonio Freire
Postado em 2012-02-14 07:52:44
Querida e eterna aluna Cynthia. A precisão e sobriedade em seu comentário me deixa orgulhoso, por saber que participei da sua formação. Infelizmente as organizações estão passando por um momento de desprezo à vontade do consumidor. Não é necessário inventar nada, basta atender bem, e o demais é esperar os louros da fama da fidelização.
O que me preocupa é quando a concorrência ficar mais intensa, quando o mercado baiano estiver aberto e o resto do mundo (Brasil) estiver com olhos voltados para nós, aí eu quero ver a quebradeira e ouvir que a culpa é do governo ou do consumidor que não sabe o que quer....rsrsrsrsr
Estou me acostumando a ouvir que a culpa é sempre do outro, mas Porter já dizia "[...] se vocÊ não está vendedno a culpa é sua, deixe de colocar a culpa nos outros pelas suas deficiências[...]
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